A faxina faz parte da rotina de muitas famílias brasileiras e, para parte delas, vai além da organização da casa. Uma pesquisa da Scott Duramax, realizada em parceria com a consultoria Grimpa, apontou que 49% das pessoas veem a limpeza como uma forma de autocuidado e 73% preferem uma faxina detalhada.
Dedicar mais tempo à limpeza, porém, não garante necessariamente um resultado melhor. Pequenos hábitos repetidos podem reduzir a eficiência do processo, aumentar o desperdício de produtos e danificar pisos, móveis e outras superfícies.
Segundo José Roberto Campanelli, diretor da Mary Help, rede especializada na intermediação de serviços domésticos, a eficiência da limpeza depende menos da quantidade de produtos utilizados e mais da forma como eles são aplicados.
“Muitas vezes, pequenos hábitos comprometem todo o trabalho. Conhecer a função de cada produto e seguir a sequência correta da limpeza faz mais diferença do que utilizar vários itens ao mesmo tempo”, afirma.
Uso incorreto de produtos
Um erro frequente é acreditar que um único produto resolve todas as necessidades da casa. Vinagre, detergente, álcool 70%, desinfetante e desengordurante têm funções diferentes.
Usar um produto fora da finalidade para a qual foi desenvolvido pode comprometer a limpeza e danificar superfícies. O vinagre alimentar, por exemplo, é ácido e pode danificar pedras naturais como mármore, calcário, travertino e alguns tipos de granito.
Dicas caseiras que indicam o vinagre para limpeza podem ser úteis em algumas situações, como a remoção de depósitos de calcário. Ainda assim, ele não deve ser tratado como solução para todas as superfícies. A orientação é consultar as recomendações do fabricante do revestimento, móvel ou eletrodoméstico antes da aplicação.
A Anvisa orienta que produtos de limpeza não sejam misturados, salvo quando o próprio rótulo indicar que a combinação é segura.
Misturas caseiras exigem cautela
Na tentativa de potencializar a faxina, muitas pessoas recorrem a misturas caseiras. Essa prática, no entanto, pode ser perigosa.
A Anvisa alerta que produtos de limpeza têm formulações diferentes e não devem ser combinados por conta própria. Misturas podem gerar vapores tóxicos, causar irritação na pele e nos olhos e afetar o sistema respiratório.
Em caso de exposição a vapores, irritação intensa ou dificuldade para respirar, a recomendação é afastar-se do ambiente, ventilar o local e buscar orientação médica ou de um Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox).
Desinfetante não substitui a limpeza
Outro equívoco comum é aplicar desinfetante antes de remover a sujeira. O desinfetante não tem a função de retirar gordura, poeira ou resíduos.
Para que cumpra sua função, a superfície deve estar previamente limpa. Orientações técnicas de limpeza e desinfecção indicam que a desinfecção deve ocorrer após a remoção da sujeira com água e detergente.
Depois de limpar, o desinfetante deve ser aplicado conforme as instruções do fabricante, respeitando o tempo de ação indicado no rótulo.
Excesso de produto não limpa mais
Usar mais produto do que o necessário não significa obter uma limpeza melhor. O excesso pode deixar resíduos, dificultar o enxágue, aumentar o desperdício e, em alguns casos, danificar o material.
A dosagem indicada pelo fabricante costuma ser suficiente para o resultado esperado. Respeitar essa medida também ajuda a reduzir custos e o impacto ambiental do descarte de produtos.
Tempo de ação faz diferença
Alguns produtos precisam permanecer na superfície por alguns minutos para agir corretamente. Retirá-los antes do período recomendado pode reduzir a eficácia.
A leitura do rótulo é essencial: além do tempo de ação, ele traz informações sobre diluição, tipo de superfície, cuidados de uso e advertências de segurança.
Segundo Campanelli, uma faxina eficiente não depende de utilizar mais produtos, mas de utilizar os produtos certos da maneira correta.
“Quando entendemos a função de cada item e seguimos as orientações de uso, limpamos melhor, preservamos os materiais da casa, evitamos desperdícios e ainda tornamos a rotina mais prática e segura”, conclui.
