A mudança não é uma coisa que a gente faz. É uma coisa que a gente é. - Imagem criada por IA.

A CORAGEM DE SE TORNAR OUTRA PESSOA

Cássia Kerlinner

No primeiro texto dessa sequência, eu falei do ambiente que me fez mudar. No segundo, falei do curso que não mudou nada. Hoje, eu vou falar da coragem de se tornar outra pessoa.

Porque no fim das contas, é disso que se trata: coragem.

Não é coragem de enfrentar um leão. Não é coragem de subir num palco. Não é coragem de dizer não para o chefe. É uma coragem mais silenciosa. Mais íntima. Mais perigosa.

É a coragem de morrer um pouco para nascer de novo.

Quando a gente decide mudar de verdade, a gente não está só ajustando hábitos. A gente está matando uma versão de si mesmo. A versão que era confortável. A versão que era conhecida. A versão que todo mundo gostava.

E isso dói. Dói muito.

Porque quando você mata uma versão de si mesma, você perde o chão. Perde o nome. Perde o lugar. As pessoas ao seu redor não vão entender. Vão achar que você está estranha. Vão achar que você está diferente. Vão achar que você está errada.

E você vai ter que aguentar isso. Sozinha. Sem aplauso. Sem validação. Sem garantia de que vai dar certo.

É por isso que tanta gente faz curso e não muda. É por isso que tanta gente tem o ambiente perfeito e não muda. É por isso que tanta gente tem disposição e não muda.

Falta coragem.

Falta coragem de se olhar no espelho e não reconhecer a pessoa que está olhando de volta. Falta coragem de se vestir de um jeito que ninguém espera. Falta coragem de falar de um jeito que ninguém conhece. Falta coragem de se ajoelhar quando todo mundo espera que você fique de pé.

Eu sei do que estou falando. Porque eu já fiz isso. Eu já me olhei no espelho e não me reconheci. Eu já me vesti de um jeito que ninguém esperava. Eu já falei de um jeito que ninguém conhecia. Eu já me ajoelhei quando todo mundo esperava que eu ficasse de pé.

E foi nesse momento — nesse momento exato de coragem — que eu mudei.

Não foi no curso. Não foi no ambiente. Foi na hora em que eu escolhi ser outra pessoa. Mesmo com medo. Mesmo sem garantia. Mesmo sem plateia.

É isso que transforma aprendizado em desempenho. É isso que transforma ambiente em transformação. É isso que transforma disposição em ação.

Coragem.

Se você está tentando mudar e não está conseguindo, não é falta de curso. Não é falta de ambiente. Não é falta de disposição.

É falta de coragem.

Coragem de se tornar outra pessoa. Coragem de matar quem você era para nascer quem você quer ser. Coragem de se olhar no espelho e não reconhecer a pessoa que está olhando de volta.

E se você tiver essa coragem, o resto vem. O ambiente acolhe. A disposição sustenta. O aprendizado vira ação.

Mas sem coragem, nada acontece.

Porque a mudança não é uma coisa que a gente faz. É uma coisa que a gente é.

E para ser outra pessoa, é preciso ter coragem de deixar de ser quem se era.

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