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Quando foi a última vez que você apenas tomou um banho?

Cássia Kerlinner

Aqui vai uma pergunta estranha para começar: quando foi a última vez que você tomou um banho — e realmente apenas tomou um banho?

Não aquele banho rápido, com a mente já no café da manhã, no e-mail que precisa responder, na reunião que vai ter mais tarde. Não o banho que você toma no piloto automático, enquanto pensa no que aconteceu ontem ou no que precisa fazer amanhã.

Mas um banho de verdade. Aquele em que você sente a água quente escorrendo pelo seu corpo. Em que você percebe o vapor subindo, o cheiro do sabonete, o som da água caindo. Em que você está ali, pessoa, inteira, só ali, só naquele momento.

Ou então: quando foi a última vez que você sentiu o sol na sua pele numa tarde comum?

Não num dia de praia, não nas férias, não numa ocasião especial. Mas numa tarde qualquer, daquelas que a gente costuma chamar de “normal”. Você parou? Sentiu o calor? Percebeu sua respiração? Notou como sua pele reage ao toque da luz?

A gente vive correndo. A gente vive pensando no próximo passo, na próxima tarefa, na próxima obrigação. E, no meio disso tudo, a gente esquece de estar aqui. Agora. Neste corpo. Nesta pele. Nesta respiração.

Algo tão ordinário — um banho, um raio de sol, uma xícara de café — pode virar meditação quando a gente está realmente presente para aquilo. Não precisa ser algo grandioso. Não precisa ser uma prática espiritual complicada. Só precisa de você. Pessoa. Inteira. Ali.

Experimenta hoje.

Quando for tomar banho, tenta só tomar banho. Sem celular. Sem lista mental. Sem pressa. Só você, a água, seu corpo.

Quando o sol bater na sua pele, pare. Sinta. Respire.

E me conta depois como foi.

Porque às vezes a gente não precisa de mais nada. Só precisa de menos distração. E de mais presença.

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